Venda de empresa a gigante dos EUA por brasileiro põe em xeque tese de Washington sobre 'custo' de imigrantes

Suspensão de vistos para 75 nações sob alegação de 'extração de riqueza' ignora casos como o de Tiago Prado, que em novembro atraiu capital de grupo bilionário
A suspensão do processamento de vistos para imigrantes de 75 países, anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA nessa quarta-feira (14), baseia-se em uma premissa contábil: a de que esses estrangeiros representam um "custo social inaceitável" e "extraem riqueza" dos americanos. No entanto, movimentos recentes de Wall Street sugerem que o mercado financeiro enxerga justamente o oposto.
Um caso emblemático é o do goiano Tiago Prado. Em novembro de 2025, enquanto o debate migratório se acirrava, ele concluiu a venda de sua corretora, a Breezy Seguros, para a Trucordia — um dos 20 maiores grupos de seguros dos EUA, turbinado por um aporte na ordem de US$ 1,3 bilhão do The Carlyle Group. O desfecho do negócio mostra que, para os grandes fundos, o imigrante não é um passivo, mas pode ser um ativo estratégico de alta rentabilidade.
O argumento de Washington para o bloqueio de vistos foca no uso de programas de assistência social. Contudo, a trajetória de Prado — que chegou ilegalmente aos EUA aos 14 anos em 2001 e sem saber inglês, hoje é formado em economia pela Tufts University — revela a criação de uma rede de proteção privada que desonera o Estado.
A nota oficial dos EUA afirma que a medida valerá até que se garanta que novos imigrantes "não extrairão riqueza". O caso de novembro serve como prova técnica de que a integração econômica de brasileiros e outros latinos frequentemente supera o desempenho de nativos em setores de serviço e empreendedorismo.
"O mercado não investe bilhões por caridade. Se o Carlyle colocou capital na operação que comprou a Breezy, é porque o imigrante é um cliente lucrativo e um gerador de impostos", explica Tiago Prado.