O "Beco do Ouro": Como a viralização transformou uma passagem da Rocinha em atração turística

O que antes era apenas um atalho cotidiano para os moradores da parte alta da Rocinha, na Zona Sul do Rio, tornou-se o mais novo fenômeno do turismo carioca. Um beco estreito, com pouco mais de 80 centímetros de largura, viu sua rotina mudar drasticamente após vídeos de influenciadores digitais acumularem milhões de visualizações em redes sociais como TikTok e Instagram.
A curiosidade despertada pelo ângulo das câmeras e pela estética urbana da favela criou uma demanda inusitada. Atualmente, agências de turismo e guias independentes chegam a cobrar até R$ 400 por pessoa em pacotes que incluem a experiência de atravessar o local, com direito a paradas para fotos e vídeos profissionais.
Impacto na Comunidade
Para muitos moradores, a movimentação é vista com bons olhos. O aumento do fluxo de estrangeiros e brasileiros de outros estados impulsionou o comércio de proximidade. "Eu vendia dez águas por dia; hoje, não dou conta do estoque", afirma Jorge Santos, dono de uma pequena mercearia na saída da passagem.
No entanto, o fenômeno também traz debates sobre a privacidade dos residentes e a logística de circulação, já que o beco é uma via essencial para quem vive na região e agora precisa dividir espaço com filas de turistas.
Conclusão
O caso do beco na Rocinha é um exemplo emblemático do poder da internet em ressignificar espaços urbanos. Ao transformar uma estrutura comum de circulação em um produto de alto valor agregado, a viralização digital demonstra sua capacidade de interferir diretamente na economia local. Contudo, o desafio que permanece é equilibrar o desenvolvimento econômico gerado por esse novo turismo com o respeito ao bem-estar e à identidade dos moradores que ali residem. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano